31 de ago. de 2019

Como foi passar por 4 puerpérios


Olá pessoal! Tudo bom?
Como muitos de vocês sabem, eu tenho 4 filhos. Minha experiência com as gestações e puerpérios foram bem diferentes e hoje eu vim contar um pouquinho sobre elas.

Antes, gostaria de explicar que o PUERPÉRIO não é o mesmo que pós parto. Muitos acabam rotulando desta forma e limitando sua duração em 40 dias, como se pudéssemos controlar todas as questões hormonais e emocionais dessa fase... "40 dias! Vamos ali desligar o puerpério! Pare de bobeira e se ache agora, mulher!" Ai, ai...

O Alexandre Coimbra, do Instituto Aripê, faz uma descrição perfeita sobre o puerpério AQUI.


Meus puerpérios

Isaque nasceu quando eu tinha 20 anos. Era uma jovem e sem conhecimento de tudo no que diz respeito ao parto e ao que vem após. Lembro de memórias fortes e meus relatos tristes da experiência com o parto. Lembro como foi difícil amamentar. Meu bico ficou em carne viva e eu não tinha orientações sobre o que fazer. Minha sograda amada, me dava força mas era normal, segundo ela.
Depois de alguns meses a amamentação fluiu mas minha recuperação da episiotomia foi punk.
Mas no quesito emociona eu fiquei bem. Acredito que meu puerpério tenha sido mais curto que nos que vieram depois.

Quando Lídia nasceu, Isaque tinha 1 ano e 8 meses. Foi uma segunda gravidez planejada pra pertinho mesmo. Eu queria que os dois tivesses idade próxima para brincarem mais. 
Seios feriram também... A mesma dificuldade e mesma falta de assistência e recuperação de uma cesárea eletiva.
Lembro de ficar com ciúme da babá do Isaque e implicar com o que ela fazia (não diretamente com ela, mas reclamava com meu marido).
Lídia tinha muita cólica e foi cansativo com o irmão tão novo. Julio e u dividíamos a atenção entre eles. Teve mudança de cidade e todo aquele estresse que vem junto. 
Esse puerpério durou um pouco mais. Lembro de ter uma crise de nervos e jogar objetos da cozinha no Júlio. Ele deu um de "Neo" (do Matrix) e desviou de tudo. Fiquei mais enfurecida e entortei minha forma de torta. Eu estava fora de mim! Julio me jogou num curso de fotografia após esse episódio. Kkkkk... Foi a minha terapia e só tenho a agradecer. Saí daquele casulo e descobri uma paixão: fotografar!

A gravidez de Elisa foi mais tensa emocionalmente. Consequentemente foi meu pior puerpério. E foi a pior fase em nosso relacionamento como casal. Eu não me entendia, ele tão pouco e vivíamos perdidos entre três crianças, recuperação de uma segunda cesárea e uma casa bagunçada. Ah, vale lembrar que tínhamos mudado nessa gravidez para o sul do Brasil.

Anos passaram e eu finalmente comecei a voltar a me sentir mulher novamente. A caçula com 5 anos, mais independente e nossa família num momento maravilhoso. Foi quando engravidei (após 5 anos de vasectomia - tem post sobre isso aqui) e nosso mundo virou de novo.

Mas com Linda, além do meu parto natural, veio muita informação e rede de apoio. Eu aprendi sobre baby blues, tive assistência quanto a amamentação, descobri o que era puerpério e entrei para um coletivo de apoio materno.
Esse puerpério durou mais de um ano mas foi uma experiência completamente nova. Tive dias tensos, choro, privação de sono, exaustão? Teve sim. Muito! Mas passei por cada fase com muita consciência do que era e porquê. Me senti perdida, sem identidade mas conforme eu submergia, pude conhecer uma Carolina mais forte e que respeita seus limites.

Hoje, como doula, converso muito sobre esse outro lado do arco íris com as gestantes e incentivo que participem de rodas de apoio materno. A maternidade pode pesar muito nesse primeiro ano e nos sentimos sozinhas em meio a esse mar revolto. Entender que eu não estava só e que eu e meu marido precisávamos de informação para chegar à margem, fez total diferença, inclusive para a adaptação dos irmãos com a chegada da baby Linda.

Puerpério é tenso mas pode ficar mais difícil sem apoio. Se você está vivendo essa fase, busque apoio e saiba que não está só. É uma fase, sabemos que vai passar, mas não é por isso que vamos deixar de sentir. Entenda que não é só seu bebê que precisa ser acolhido, mas também você e seu companheiro.

Se me permite uma dica, deixo o que aprendi com todas as ondas que pulei, submergir e até engoli água algumas vezes: Não subestime seu momento, tão pouco sua capacidade de passar por ele. Chorar, perder-se, cansar em vários momentos é natural, não sinal de fraqueza ou de ser péssima mãe. Transformação gera rompimento e isso dói, de várias maneiras. Mas como a lagarta que se transforma numa linda borboleta, você vai se descobrir uma mulher ainda mais forte. Confie em si.

Um abraço bem apertado de uma mãe pra outra mãe e não fique só! <3


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