5 de nov. de 2017

Relato de Parto Natural Hospitalar Humanizado VBA2C


 Simmmm!!! Finalmente consegui escrever meu relato de parto pra vocês! Essa semana fará um ano que minha vida mudou completamente e só agora consegui "parir" meu relato! Kkkk... Achei que conseguiria segurar a emoção mas tá impossível! Chorei horrores relembrando tudo. Toda a ocitocina daquele dia voltou com tudo! 
 Revivi tudo o que lembro, o que vi no vídeo e o que me contaram depois. Trouxe o máximo que lembrava e estou muito feliz por compartilhar com vocês. Então, vamos lá!

Uma semana antes... 

 Tive uma noite inteira de pródromos bem intensos. Intervalos de 10, 7 minutos. Mas eram incômodos a ponto de não conseguir dormir. Enquantos todos dormiam, eu conversava com minha doula pelo Whatsapp e gravava Vlog. Sim, eu estava toda me achando, crente que conseguiria gravar tudo pra vocês! HAHAHA...

  Pela manhã, estava igual um urso panda, com olheiras fundas e as contrações que não iam embora, mas continuavam com intervalos irregulares. Chamei minha amiga para caminhar. Eu pensei: vou andar pra engrenar essas contrações por que eu tô no controle, tô animada e vou com tudo pra esse parto! HAHAHA de novo!

  Lá fomos nós caminhar. A cada dez passos uma parada, por que era cada fisgada lá embaixo, que pelo amorrrrrr... Voltamos depois de uns 40 minutos, sentamos na pracinha e batemos um papo, fui pra casa tomar um banho e apaguei! Dormi tudo o que não havia dormido na noite passada e mais um pouco. Quando acordei até me assustei com a hora. E fiquei brava! Afinal, onde estavam as benditas contrações??? Ahhhhhhhhh!!! Esses pródromos de "Dona Fabíola" (minha doula) estão me enervando! Kkkkk... E seguimos os dias sem nenhum sinal, o que me fez apagar os vídeos que tinha feito e largar de mão pra não pirar.

Dia 7 de Novembro de 2016 (38 semanas e 4 dias)


 Minha sogra chegou de Minas cedinho. Batemos muito papo e pela tarde, ela foi descansar. Eu engrenei na limpeza da minha área de serviço, terminei de lavar algumas coisinhas da Linda e terminei de guardar o que faltava na mala. Quando foi por volta das 16 horas comecei a sentir contrações leves. Na hora pensei: Será??? Não. Deve ser os pródromos (revirada de olhos).

  Dezessete horas continuaram se ritmando de forma branda, dezoito horas a mesma coisa! Pensei: É hoje! Mas não comentei nada. Fui fazer uma torta de queijo pra janta e terminar de ajeitar o que eu precisava. Minha sogra disse depois, que eu estava muito calada, ela até estranhou, pensou que eu estava triste (risos). Quem me conhece sabe o quanto sou tagarela. Era pra estranhar mesmo!

 Júlio chegou em casa por volta das dezenove horas. Chamei ele no cantinho e disse: É hoje. Estou com contrações ritmadas mas leves. Estamos no início. Fui levando tudo na naturalidade. Não queria alardar as crianças. Quando as contrações vinham, eu parava num cantinho sem que eles percebessem. 

 Jantamos nossa torta, conversamos um pouco e por volta das 21 horas colocamos a turminha pra dormir, como é de rotina nossa. Minha sogra percebeu que eu queria ficar mais na minha (ela é tão perceptiva e atenta! Gratidão por isso!) e foi para o quarto "dormir". Depois ela mesmo contou que não dormiu, estava em oração e com os ouvidos alertas! Kkkkk...

 Por volta das dez da noite, as contrações estavam beeemm intensas e lembro de estar cronometrando e mandando a intensidade pra Fabi. A cada contração eu dizia "essa foi muito forte", "nossa, essa foi forte de verdade"! Kkkkkk... E não sabem da maior, o aplicativo cismou de travar! Gente, eu tenho um problema sério com esses aplicativos! Quando eu mais preciso deles, eles me deixam na mão! Quem leu o post onde falo sobre quando engravidei, sabe do que estou falando! Rsrs... Por isso, larguei o aplicativo e Fabi foi marcando pelo Whatsapp. 

 Nesse intervalo, nosso Pastor e amigo, veio deixar o carro conosco e foi muito engraçado! Ele entrou pra falar conosco e a cada contração eu dizia "espera um instante" e abaixava pra sentir a contração, depois levantava como se nada tivesse acontecendo e conversava! Hahaha...

 A cada contração eu me abaixava de cócoras. Sempre fui assim. Prisão de ventre, dor de cabeça, crise de cistite, dor de barriga... vou pro lado da minha cama, no cantinho e me abaixo. Não me perguntem o motivo, ok?! Sempre fui assim! E foi a melhor forma que encontrei de passar por cada contração. Entre onze e meia noite pedi que Fabi viesse. Estavam todos dormindo ( e eu queria que fosse assim, já que me isolo quando estou com qualquer dor. Odeio falação na minha cabeça nesses momentos) e eu precisava dela. Minha doula chegou bem rapidinho e ficamos conversando entre as contrações. Não me perguntem quais assuntos pois não faço ideia!

 Lembro que as contrações estavam diminuindo os intervalos, mas ainda irregulares. Eu estava ansiosa, querendo que elas diminuíssem os intervalos mas, quando engrenavam de 4 em 4 minutos, voltavam pra cinco, seis e eu ficava brava (interiormente). Foi quando Fabi me chamou pra andar e ficamos rodando pelo quintal. As contrações vinham, eu me agachava e Fabi fazia massagem. Entramos e fiquei na bola por um curto tempo. Não quis comer nada mas bebia água.

Dia 8 de Novembro de 2016

 Quando foi uma e pouca disse "vamos pro hospital Fabi!" "Vamos." Respondeu ela. Chamei o Júlio pra organizar as coisas no carro e fui tomar um banho. Já tinha avisado ao fotógrafo (ele já estava no hospital fotografando outro parto), então era me arrumar e ir. Mais contrações e eu procurava a Fabi com os olhos. Precisava ter a certeza de que ela estava por perto pra ficar tranquila. 

 Coloquei a roupa que havia separado, mas esqueci de trocar o chinelo (fui com o mais velho!) e pentear o cabelo. Lá vai a barriguda cabelo de fogo e arrepiado parir, minha gente!

 Entramos no carro e aí o bicho pegou. Gente, a pior coisa da vida é sentir contração dentro de um carro em movimento! Como uma grávida agacha num carro cheio de coisas? E a barriga?? Não dá pra agachar! Fiquei tão brava! Júlio tentando ir rápido e passou de uma vez no quebra-mola... Lembro de ter gritado com ele, beeeemmmm zangada!

 Chegamos pra internação e foi a parte mais irritante! O hospital que escolhi e pude pagar, é totalmente cesarista, com isso, os funcionários são totalmente despreparados para o acolhimento de uma parturiente que chega num rompante, cheia de contrações. Mas eu não queria saber deles, estava concentrada em me agachar porque já vinha outra contração. Só torcia para que minha obstetra chegasse o quanto antes. Enquanto isso, Júlio foi para a recepção de internação preencher papelada (eles não tem opção de fazermos isso online, nem antecipadamente) e eu fui passar pelo plantonista que se deparou com duas cesáreas prévias e achou que eu ia pra faca! HAHAHA.... Chora sistema!!!! Toma um VBA2C!!! 

 No toque foi constato que eu estava com 3 cm de dilatação. Oi??? Aquilo me desestabilizou, confesso! Fiquei imaginando como a dor aumentaria até eu chegar ao dez. Senhorr...

 Eu tinha o exame de Estreptococos positivo e já havia planejado, ainda no pré-natal, tomar o antibiótico quando fosse internada. E assim foi feito. Fomos para a enfermaria aguardar minha médica chegar e preparem o meu quarto. Gente que luuuta! Júlio veio e disse que não tinha quarto pra mim e eu respondi "vai lá e fala que eu quero o meu quarto! Estou pagando pra ter um quarto só MEU!" Kkkkk... 

 Quando minha obstetra chegou, pude sentir mais segurança, pois estava com minha dupla doula&obstetra. Estava com pessoas que eu confiava. Mas voltei a ficar nervosa quando ela disse que eu estava com 4 cm de dilatação.

Dra. Mayra foi então resolver o problema do quarto enquanto eu estava pirando com a Fabíola. Comecei a tremer (quando fico nervosa dou crise de riso ou me tremo toda) e falar que eu não ia conseguir. Mayra voltou e tentou me acalmar com a Fabi mas nada adiantava. Veio copo de água, mais contrações, um "cadê o anestesista pois não vou aguentar", mais contrações... Depois Mayra nos contou que só queria que liberassem logo o quarto, pois no chuveiro eu conseguiria relaxar. Mas não tinha quarto vago. Ela teve que ligar pra diretora do hospital (em plena madrugada) e pedir que arrumassem um quarto pra paciente dela.

Enquanto isso, eu na minha tremedeira, ouvi a pergunta "você quer um melzinho?" Tadinha da Fabi, a minha vontade foi mandar ela fazer coisas bemmm feias com aquele mel! Kkkkkkkkk.... Mas no final das contas, aceitei com uma criança emburrada e fui caminhar com o mel.

As contrações estavam com intervalos pequenos (não me lembro quanto pois parei de perguntar), mas eu não vocalizava. Só queria agachar e tentar me segurar em algo que fizesse a dor passar. Fabíola me ofereceu o rebozo e gente... GENTEEEEEE.... Foi um divisor do meu meu parto esse tal de rebozo! O nível de contração aumentou e eu senti que Linda estava mais perto, por que eu entrei LITERALMENTE na Partolândia depois disso.


Mayra voltou e eu estava "virada no Jiraya"! Olhei pra ela e pra Fabi e disse "Acabou a brincadeira! Estou falando muito sério! Eu quero a cesárea. Chame o anestesista!" Mayra, um docinho, tão carinhosa, tadinha... ela só trocava olhares com a Fabíola, numa conversa silenciosa delas. Eu estava na Partolândia, na fase da covardia. Estava em trabalho de parto ativo!!! Eita rebozo bão, sô!


 Mayra então pediu pra me examinar e adivinhem??? Dilatação total! "Corre que está coroando!" Eu ouvi ela dizer, uma voz bem distante pois eu estava no meu mundo de contrações. Fabi falava comigo, incentivando-me mas eu não consigo lembrar de suas palavras, mas sua presença era forte e isso eu sentia o tempo todo.

 Num certo momento, Fabi disse "vocaliza Carol! Põe pra fora!" Acho que ela não tem ideia do quão libertador foi aquilo! Pra quem passou por um parto onde me chamaram de "fresca" por gritar, agora gritar sem que me impedissem, era LIBERTADOR!


E cadê Julio?? Estava ainda resolvendo papelada e aguardando pra pagar a internação. E eles dizendo que não tinha pressa por que ainda levaria horas para eu parir. HAHAHA... E lá estava todo mundo correndo e preparando o centro cirúrgico (lá não tem sala de parto) para me levar. Eu voltei a mim quando ouvi Mayra chamar Fabíola para colocar a roupa do hospital, lembro de pedir que ela não ficasse longe de mim, as contrações estavam fortíssimas e ela era meu ponto de apoio. Eu olhava pra ela e via que dessa vez EU NÃO ESTAVA SOZINHA. Dessa vez, não passaria horas sozinha num quarto, com dor e ouvindo asneiras de enfermeiras. Dessa vez u tinha uma equipe que me respeitava e tinha UMA DOULA PARA CHAMAR DE MINHA.


 Elevador e chegada ao centro cirúrgico passaram despercebidos por mim. Fabi conta e vi nas fotos, que Mayra olhou pra ela e disse "Fabíola, tá nascendo!" 


 Fabíola perguntou se eu queria voltar a ficar de cócoras e eu quis imediatamente. Parir deitada era tudo o que eu não queria. Forraram o chão e logo me vi agachada com muita vontade de fazer força. Foi quando voltei da Partolândia. Lembro de pedir desculpas por gritar pois não gostava de gritaria (sei que esse pedido de desculpa foi consequência do trauma anterior) e a equipe me tranquilizou imediatamente. Lembro de fazer força e depois perguntar "depois que sair a cabeça, resolve?" E não teve como não rirem com a pergunta inusitada.. Rsrs... Outra força e Linda veio de uma vez, tão rápido que Dra. Mayra a recebeu sem uma das luvas, não deu tempo de colocar a outra.



 Linda nasceu e eu imediatamente me senti entorpecida, era um misto de exaustão e alívio. Parecia um sonho, eu havia chegado até ali mesmo??? Fiquei um tempo na mesma posição, sem conseguir me movimentar. No vídeo vi que foram segundos mas pra mim, parecia meia hora. Voltei a mim com Mayra me chamando "Carol, Carol! Olha a Linda!" 



Como descrever pra vocês o que senti quando peguei a Linda nos meus braços? Depois de um parto cheio de violências obstétricas, duas cesáreas eletivas onde não tive meus filhos nos meus braços assim que nasceram, eu pude sentir aquele cheirinho único pela primeira vez na vida! Tem noção? Choro só de lembrar! Estava ali, no cheirinho da Linda, meus três filhos mais velhos, estava ali, no parto da Linda, o parto dos outros três também. 



 Choro sem lágrimas, choro parecendo grito, choro de vitória, choro de conquista! Eu pari! Eu fui respeitada e pari! 



 Quando assisti o vídeo, eu me emocionei tanto! Não tinha noção da cena que se formara diante de mim e da minha bebê. Minha equipe maravilhosa nos contemplando. <3

 Dr. Rogério se aproximou e contou comigo os dedinhos da Linda, de forma tão carinhosa, tudo tão perfeitinho... 


A placenta que a nutriu por 9 meses, nasceu e cortei seu cordão quando parou de pulsar.


 Num hospital cesarista, com uma equipe humanizada, pari de cócoras (primeiro parto assim naquele hospital), peguei minha filha nos braços, reconhecendo-nos pelo tempo que fosse necessário pra nós duas, sentindo o seu cheiro.


 Linda ganhou seu primeiro lacinho vermelho do pediatra e ficou ainda mais charmosa!


 Enquanto eu deitava na cama para que a Dra. Mayra desse os pontos (tive laceração natural), Dr. Rogério cuidou da Linda, ali no centro cirúrgico mesmo e a trouxe para sua primeira mamada. E a espertinha sugou com vontade!


 E foi aí que o papai finalmente chegou!!! Rsrsrs... E só aí voltei ao planeta terra e percebi que tinha uma playlist TOP do pediatra tocando.


 Finalmente pudemos ir para o quarto (fecharam um quarto de dois leitos pra mim), ainda submersa em ocitocina. Grata por ter gerado e parido meu pacotinho.


Chegamos na maternidade por volta das duas horas da manhã. Às 04:50hs, nasceu Linda, com 46,5 cm, pesando 2.895 kg, com apgar 10/10.


 Quando optei pelo parto normal, faltava um pouco mais de 1 mês para o nascimento da Linda. Conheci a humanização do parto e vi ali a oportunidade de sarar as feridas do passado e passar por um parto de verdade. Sem intervenções, sem palavras agressivas, respeitando minha bebê... Graças a Deus tive uma equipe maravilhosa que deu o suporte que eu precisava.

 Eu não tive tempo de estudar tudo o que precisava, não tinha o conhecimento que tenho hoje, quase um ano depois. E se posso deixar uma dica para ter um parto respeitoso, deixo este: Estude sobre o parto e nascimento, sobre os direitos da mulher, do seu acompanhante e do bebê. Informe-se e lute para que respeitem seu plano de parto.

 Agradeço a Deus pela vida da minha doula e amiga Fabíola, pelo casal mega especial Dra. Mayra e Dr. Rogério, aos meus amigos e familiares (ficaria difícil nomear todos aqui) que estiverem orando durante toda minha gravidez, acompanhando cada mês e recebendo Linda com tanto amor, e ao meu marido que apoiou minha mudança de rota, eu te amo!

Você já assistiu ao vídeo do parto da Linda? Não?! Então clique AQUI pra ver!



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