22 de mar. de 2017

Relatos da Maternidade | Especial 21 de Março - Dia da Síndrome de Down

Dando continuidade as homenagens ao Dia Internacional da Síndrome de Down, hoje vocês conferem o relato carinhoso da Yasmin, irmã do lindo Davi.

Relato de uma irmã Especial

Fui sorteada para viver uma realidade difícil, a das pessoas com necessidades especiais. Para ser a irmã que o Davi precisava, eu teria que mudar. Precisava ser muito dedicada, brincar muito, estimular muito... e comemorar cada conquista. Hoje, sou a minha melhor versão. Graças a ele. Por quê? Cada caso é um caso, não quero entrar em detalhes porque com outras pessoas pode ser diferente. Só sei que pra ser irmã de uma criança especial, é preciso enfrentar muita coisa. Mas nada, nada mesmo, impede a gente de ser feliz. Quando penso em ficar triste diante de qualquer dificuldade, me inspiro nele: astral maravilhoso, sempre sorrindo! Mesmo diante de tanto preconceito e dificuldades.


Dificuldades? Sim, dificuldades. Uma criança "normal" precisa de uma média de sete tentativas para aprender algo novo. Já para uma criança com síndrome de down, esse número pode ser três vezes maior.
Eu era filha única. De repente, me vi irmã de uma criança que demorou meses pra conseguir sustentar a cabeça, outros meses para conseguir sentar e dois anos para andar. E que ainda não fala. Ok, eu sei que tudo tem seu tempo, mas não podemos negar que existem sim momentos difíceis. Além disso, crianças com síndrome de down recebem um "rótulo". Todos acham que todas são iguais, vivem do mesmo modo e fazem as mesmas coisas. E querem saber a verdade? Eu também achava antes de ter um irmão assim. E hoje eu vejo que estava completamente errada.

É um impacto muito, muito, muito grande. Quando o resultado do exame chegou em nossas mãos, não foi fácil. Desde a barriga sabíamos como o Davi seria e isso nos dava um medo muito grande. Era algo novo. E todo mundo tem medo do desconhecido.

Muitas mães que passam por esse momento entram em depressão. Elas não estão rejeitando a criança, mas não sabem como lidar com tudo isso. Muitas optam pelo aborto simplesmente por conta desse medo. Minha mãe, aliás, foi indicada a uma clínica clandestina. A médica dela da época disse que seria melhor abortar e fez uma pressão gigantesca dizendo que esse era o caminho que minha mãe deveria seguir.

Por essa pressão psicológica MUITAS famílias passam (se algum profissional fizer o mesmo com você, denuncie!). Todo mundo diz que é difícil, que você não saberá lidar com essa situação, que você não tem preparo pra isso, que seu marido não ficará ao seu lado...
Foram tantas coisas que ouvimos!
Mas hoje eu quero dizer que você é capaz, sim! Que você consegue dar conta, sim! Nós conseguimos!


Ter uma criança com síndrome de down não faz de ninguém uma pessoa melhor. Mas a forma com que você lida com isso, sim. Eu e minha família às vezes esquecemos o que o Davi tem. Ele é uma criança como qualquer outra. A síndrome de down é só uma característica genética, uma das características dele. "Ah, mas ele vai ter dificuldades no desenvolvimento". Sim, ele tem, mas qualquer pessoa pode ter. Eu tentei aprender a tocar violão por muito tempo e não sei absolutamente nada. Nunca aprendi. Tenho dificuldade. Ele, com certeza, vai ter outras, vai ter o tempo dele. Espero que esse mundo entenda que cada um tem o seu tempo. E que ninguém ache que ele é inferior por causa da síndrome. Que ele sempre tenha o direito de aprender, de tentar, e também, de errar.


Sou grata e feliz por ser a irmã do Davi. Não "o Davi que tem síndrome de down". O Davi que é o Davi. E que pode ser o que ele quiser.

Todas as deficiências dele não mudam o fato de que ele é uma pessoa inteira. E é isso que o mundo precisa entender. Eu concordo que ele é mais lento para algumas coisas, sim. Mas o que importa? O que conta ele tem: uma carga de amor enorme.

Porque o amor não conta cromossomos!



Leia também o Relato de uma Mãe Especial.

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Dentre os 365 dias do ano, o “21/03” foi inteligentemente escolhido porque a Síndrome de Down é uma alteração genética no cromossomo “21”, que deve ser formado por um par, mas no caso das pessoas com a síndrome, aparece com “3” exemplares (trissomia). A ideia surgiu na Down Syndrome Internacional, na pessoa do geneticista da Universidade de Genebra, Stylianos E. Antonorakis, e foi referendada pela Organização das Nações Unidas em seu calendário oficial.
Oficialmente estabelecida em 2006 e amplamente divulgada, essa data tem por finalidade dar visibilidade ao tema, reduzindo a origem do preconceito, que é a falta de informação correta. Em outras palavras, combater o “mito” que teima em transformar uma diferença num rótulo, numa sociedade cada vez mais sem tempo, sensibilidade ou paciência para o “diferente”.
Acesse ao site MOVIMENTO DOWN para mais informações.


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