10 de mar. de 2017

A frustrante tentativa de ser uma mãe exemplar


 Era uma vez uma mãe de dois filhos. Ela tinha sua casa organizada por uma ajudante, plaquinhas com regras para as crianças no cantinho do castigo, um nível elevadíssimo de estresse e a visão de mãe dentro do padrão "Super Nanny". 
 Certo dia, essa mãe e sua família se mudaram para outro estado. Lá não teve ajudante, sentia muito frio, adaptação com a cultura muito complicada e uma terceira gravidez não planejada. 
 Adeus padrão Super Nanny!
Fim!

Quem me acompanha nas redes sociais sabe que tomei a decisão de buscar ajuda de uma psicóloga para conseguir lidar melhor com o puerpério. Uma das coisas que foi desencadeada lá atrás, mas que tem me trazido a exaustão após a minha quarta gravidez, tem sido esse peso que eu coloco em mim mesma sobre o papel que tenho como mãe. 

Sempre pensei que para ser uma boa mãe, precisava levar os meninos a seguirem muitas regras, cantinho do castigo, casa sempre em ordem, meninos sempre limpos e impecáveis e por aí vai. Com Isaque e Lídia eu consegui manter a maioria destas coisas. Tinha ajudante para as tarefas da casa, Isaque entendia o cantinho da disciplina e Lídia seguia o fluxo. Quando mudamos, toda nossa estrutura mudou e eu engravidei da Elisa, o caos se formou.

 Quase tive depressão, rejeição da gestação, passei por situações de preconceito pela terceira gravidez e foi tudo piorando. Fui deixando um monte de regras de lado, casa numa desordem na maioria das vezes e o desânimo tomando conta de mim. 

 Depois de algum tempo, com Elisa maiorzinha, meu ânimo foi até melhorando mas as tarefas domésticas e maternas continuavam fora do "padrão". Isso me frustrava e pesava tanto me sentir assim. Sentir-me cansada desse papel de mãe, um lixo como dona de casa, uma zero à esquerda por não ter seguido nenhuma carreira (diferente das minhas amigas que seguiam se realizando em suas profissões) e uma esposa sempre irritada. Piorou ainda mais com a quarta gravidez.

 Um certo dia, durante a análise, estava relatando algumas formas como eu agia e via sobre meu papel como mãe e a psicóloga me perguntou: Por que você tem que fazer isso ou aquilo? Por que seus filhos precisam estar sempre bem arrumados todas as vezes que saírem? Por que importa como os outros vão pensar sobre você como mãe? Por que? Por que? Por que?????

 Isso tudo sempre pesou e pesa tanto em mim. Principalmente pelo pré-conceito que há quando vêem uma mulher com uma escadinhas de filhos ao lado. E isso sempre me deu um nó na garganta. Como cansa tentar deixar tudo nos eixos sempre! Por que tenho que fazer isso? Não soube responder...

O resultado de toda essa cobrança que eu sempre fiz a mim mesma foi um total desanimo de tudo, uma visão sobre a maternidade deturpada, onde eu passei a viver e ver só a parte cansativa de ser mãe. Os dias passando, meus filhos crescendo e a parte boa da maternidade se esvaindo de mim. 

Um dia desses, saí na rua e fiz uma coisa que não fazia a tempos, comecei a reparar e observar as coisas por onde passava. Quando fomos comer fora, não chamei atenção dos meninos e curtir aquela noite não só como mãe, mas simplesmente como a Carolina que gosta de sair e aproveitar. 

 Não vou dizer que todo aquele peso se foi. Tenho vivido um dia de cada vez. A cada situação, tenho tentando retirar o bloco de peso e cobrança de cima de mim. Chega de me cobrar tanto. Meus filhos merecem e continuarei dando limites, rotina saudável, mas sem excessos. Sem me cobrar por não ter sido uma mãe perfeita. Eu nunca fui e nunca serei assim. É impossível. 

 Resolvi escrever sobre esse processo que tenho vivido por que sei que muitas de vocês, tem sofrido também com toda essa carga que outros ou até mesmo nós mesmas, colocamos nos ombros. Nossos filhos nos amam, querem nos ver felizes. Como será pra eles olhar para trás e lembrar da mãe sempre chateada, cansada e frustrada? Eu não quero isso pra mim e vocês? É possível buscar um equilíbrio. Eu estou buscando o meu. Sem opinião de terceiros e sem padrões impostos sei lá por quem. Cada família tem suas necessidades e realidades.

Estou tentando me reencontrar e seguir o lema "Ser mãe sem deixar que a mulher em mim se perca no caminho". Fácil não é, mas vamos seguindo sem amarras. 

E vocês? Como tem sido viver a maternidade? Conta pra mim aqui nos comentários. Vamos compartilhar nossas experiências e nos ajudar! 




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
© Diario de Maternidade - 2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: Acid Assessoria.
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo