18 de jan. de 2017

Relatos da Maternidade | Diagnóstico de Pânico no Puerpério


 Hoje estamos estreando um novo quadro no Diário, o  "Relatos da Maternidade". Estaremos compartilhando experiências e convido você, mamãe, para se juntar a nós. Se você tem algo que gostaria de compartilhar com outras mamães, ajudar, incentivar ou até mesmo alertar, entre em contato conosco e estaremos publicando aqui o seu relato.

 Confiram o primeiro relato do quadro e compartilhem com suas amigas!



 Síndrome do Pânico no Puerpério

"A gravidez da minha terceira filha foi totalmente diferente das anteriores, me sentia cansada e com nervos a flor da pele. Com 36 semanas, senti a perda de paladar em 2/3 da língua, parecia que minha língua estava coberta com alguma coisa que não me deixava sentir o gosto dos alimentos. Sentia meu olho irritado, mas como o tempo estava muito seco, não dei muita bola. Na manhã seguinte, levantei como de costume, meu esposo já tinha saído pra trabalhar e os meninos ainda dormiam, fui ao banheiro e quando coloquei água na minha boca, percebi que não conseguia segurá-la, a água escorria toda pelo canto da boca. Quando olhei no espelho vi que tinha algo de errado, comecei a ficar desesperada mas consegui me acalmar e liguei pra uma amiga enfermeira. Ela me orientou a ir até o posto de saúde que ela estava, pra aferir minha pressão arterial e ver o que a gente fazia. Chegando lá, minha amiga me olhou e disse que aparentemente era uma paralisia facial, porque meu olho já não piscava e minha boca estava paralisada. Então já desci direto para a clínica, onde conseguimos um neuro que me atenderia. Ele fez todos os testes e me deu o diagnostico da Paralisia Facial de Bell, que até então, nunca tinha ouvido falar. Saí de lá com receita de corticoide, colírio de lágrima artificial, uma pomada para o olho e prescrição de fisioterapia. 

 Passado o susto, tentei organizar as ideias e encarar de frente. Não foi fácil olhar no espelho e ver meu rosto sem expressão, era horrível! Ouvi crítica de onde nunca imaginei que viria, minha alto estima foi no chão e meu emocional foi totalmente abalado. 

 Enfim, chegou o tão esperado dia do nascimento da minha filha, mas eu não conseguia sorrir nas fotos, sentia vergonha porque minha boca ainda estava bem torta. Tive reação a anestesia, vomitei muito no pós operatório e quando tive alta, mesmo estando bem fisicamente, sentia como se minha cabeça estivesse oca, era como se meu cérebro se debatesse dentro dela.

 Dois dias depois, recebi visita da minha querida fisioterapeuta. Pedi, que se possível, ela aferisse minha pressão arterial, ela se colocou prontamente, e descobrimos que a pressão estava altíssima. Fui encaminhada para o hospital, onde fui medicada e orientada a procurar um cardiologista na manhã seguinte. Fiz todos os exames pedidos e estavam todos normais. O cardiologista me mandou de volta pro neuro para ver essa sensação na cabeça. 

 Nesse tempo, eu já tinha um medo horrível de morrer e de deixar minhas crianças, era algo inexplicável, coração acelerava, suava frio, era horrível... tinha a impressão que teria um AVC, chegava a sentir meu braço e perna direita adormecendo. Então o neuro pediu uma tomografia. Eu tinha certeza que daria alguma coisa, algum tumor, aneurisma, sei lá... qualquer coisa! No dia de mostrar o exame estava muito nervosa, com medo, tremia muito.  Quando o neuro abriu o exame e me disse que não tinha nada, senti um alivio tão grande! O neurologista disse que eu precisava de ajuda psicológica, e me encaminhou para uma psiquiatra. 

 Fui diagnosticada com síndrome do pânico. A psiquiatra conversou muito comigo, me passou a medicação (me orientou como tomar, para que não atrapalhasse na amamentação da bebê) e pediu que eu fizesse terapia. Foi como uma luz no final do túnel! A partir dali, fui aos poucos melhorando. 

Com tudo que passei, nasceu a vontade de divulgar para outras pessoas.  Por muitas vezes me sentia sozinha e imaginando que  eu passava por isso e, na verdade, é muito mais comum que imaginamos. Nossa mente comanda tudo! Tudo que ela imagina, o corpo responde. Se eu não tivesse aceitado que precisava de ajuda, talvez não teria me recuperado. 

 Hoje, escrever tudo isso que passei, ainda me revira alguns sentimentos, mas também me faz ver tudo com outros olhos. Tudo isso me serviu pra começar a agradecer mais do que pedir. Me ensinou a dar valor num sorriso, no beber água sem deixar vazar no canto da boca, no assoviar, até mesmo em conseguir encher um balão! E o melhor de tudo, agradecer a Deus pelo fato de estar bem, de poder acordar. Esse momento difícil também me mostrou as pessoas que realmente eu podia contar, que estiveram ao meu lado me apoiando sempre, e a aprender a deixar de lado pessoas que só criticavam. 

 Foi um ensinamento máster na minha vida. Um divisor de águas, que a meu ver, me transformou numa pessoa muito melhor."









Diana Reis
Casada, mãe de três crianças lindas.
Doula


***

 Quer mandar seu relato pra gente? Envie para diariodematernidade@hotmail.com com o título Relatos da Maternidade. Ah, não se preocupe, caso queira manter sua identidade em sigilo, é só comunicar no e-mail e não divulgaremos. O importante aqui é nos ajudar e apoiar sempre!


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