13 de nov. de 2016

Saiba o que é o Plano de Parto


Se você é daquelas gravidas/mães que adoram assistir aos programas sobre gravidez que dá  nos canais de TV à cabo, com certeza já ouviu falar sobre o Plano de Parto e o enxerga como algo só existente em outros países, né? Eu também pensava assim e nessa gestação, descobri que estava totalmente enganada! Sei que não sou a única, por isso, convidei a doula Fabíola Coutinho para explicar pra vocês o que é o Plano de Parto e porque é importante toda gestante fazer o seu. Confiram abaixo:


Plano de Parto

 Plano de Parto é um documento onde constam as necessidades levantadas pela gestante/parturiente para que parto/nascimento aconteçam da melhor maneira possível, de acordo com a sua vontade.

 Antes de se montar o Plano de Parto, ressalto a importância de se conhecer "bem" o profissional que foi escolhido para atender o pré-natal. Saber quais são suas práticas, opinião sobre parto normal e respeito à mulher na hora do parto é de fundamental importância, porque o Plano de Parto lhe assegura  muita coisa, mas não faz milagre.

 Depois de conhecer o profissional, outra etapa é saber aonde será o parto (SUS, particular, domiciliar). O olhar da mulher deve se voltar para todos os detalhes, ou quase todos, que envolvam o nascimento.

 Para a elaboração desse documento devem constar o que a mulher deseja e não admite, durante todo o processo de trabalho de parto, parto e pós-parto. Cada item importa, cada detalhe faz muita diferença. Mas, para elaborar o PP de forma consciente, é importante ter conhecimento sobre muitos aspectos da humanização do parto (ciência baseada em evidências). Saber, por exemplo o que seja violência obstétrica, o que facilita ou prejudica no trabalho de parto, os benefícios ou não de certas práticas com a mulher e com o bebê, o que seja imprescindível, importante ou dispensável. É importante que a mulher se conheça e saiba o que seria ideal para o momento e o que não abriria mão de jeito nenhum. Alguns itens de grande relevância para constar no Plano de Parto: prática da episiotomia, manobra de khristeller, uso sem autorização de indução, toques desnecessários, luz, barulho, quantidade de pessoas na sala de parto, movimento da mulher durante o trabalho de parto, e tantas outras coisas, que só com muita pesquisa, trocas em grupos, conversa com doulas e profissionais envolvidos na humanização do parto, ajudarão em cada escolha.

 Esse olhar cauteloso também deve ser voltado para o bebê. O Plano de Parto deve constar itens importantes para proteger o recém-nascido de práticas desnecessárias, como: aspiração, banho antes de 24 horas, uso do colírio nitrato de prata, afastamento do bebê da mãe, amamentação na primeira hora de vida, uso de complemento, vacinas, etc.

 Sabemos que para planejarmos qualquer coisa, é necessário ter um plano principal e um secundário, para que não sejamos pegas de surpresa. Com o Plano de Parto não é diferente. Nele precisam constar todas as possibilidades que se possam imaginar, para o parto/nascimento. Ou seja, dentro do Plano de Parto deve contar mais de um "plano". Plano para parto normal sem intervenção (plano A), para normal caso haja necessidade de intervenção (plano B), para cesariana intraparto - cirurgia feita depois que a mulher entra em trabalho de parto (plano C), para cesária agendada antes de entrar em TP (plano D), para transferência para hospital, em casa parto domiciliar (plano E)... percebe como é necessário pensar de forma bem detalhada em como se deseja um parto/nascimento?

 Levantadas todas essas questões,  o profissional de assistência ao parto, deve, não só tomar conhecimento sobre a existência do PP e as exigências apontadas, como também, discutir sobre cada com a mulher. É, muitas vezes na discussão sobre o PP, que muitas mulheres descobrem, de verdade, quem é o profissional que está lhe assistindo, e quais são suas verdadeiras práticas. Isso acontece porque, depois de lido e discutido, o documento deverá ser carimbado e assinado por ele, comprovando que está de acordo e ciente da vontade da gestante. Qualquer coisa que seja feita diferente do que foi acordado, o documento serve como prova para possíveis processos judiciais.

 Após esse processo com o profissional de saúde obstétrica, o documento deve ser levado ao hospital, para que seja apresentado à direção e saber se alguns dos itens abordados (se envolverem a estrutura da instituição) têm condições de ser efetivados. Por isso é importante que se conheça a instituição de saúde para aonde se deseja ir, para que os itens abordados no PP estejam de acordo com a prática do hospital. Não adianta colocar no Plano de Parto que gostaria de silêncio no quarto, se no hospital só tem quartos coletivos. Ou que gostaria que o ar-condicionado fosse desligado, se o aparelho lá é central. Então, o PP deve estar de acordo com as possibilidade da instituição, para que ele seja realizável.

 Por tudo o que foi exposto, é muito importante que a mulher faça suas escolhas de forma consciente, para se preparar e saber o que esperar do momento que envolve nascimento e descobertas. Mas... nem tudo são flores na vida, não é mesmo? Sendo assim, é importante ressaltar que nem sempre o Plano de Parto é respeitado, seja pelo profissional de saúde, seja pelo hospital. Por isso, ter uma cópia com a família é fundamental. Reconhecer o documento no cartório para garantir sua legitimidade, também é uma boa alternativa.

 Depois do Plano de Parto ser feito e refeito, ele deverá ser impresso em 3 vias e serem assinadas pelo profissional de saúde, pela direção do hospital e pela elaboradora (gestante). Caso se opte pelo autenticação, todas as vias devem passar pelo cartório.Uma via será entregue ao acompanhante de saúde, uma ao hospital no dia da entrada em TP e a outra deverá ficar com o acompanhante, para que, qualquer ação em desacordo, o PP seja apresentado como prova de ciência de todas as partes pelas exigências feitas.

Como escrever o Plano de Parto?
O Plano de Parto pode ser escrito de diversas maneiras: poema, música, documento padrão, versos, crônicas... da maneira que a mulher quiser, desde que seja claro e coerente.

Se você é da cidade do Rio de Janeiro e quiser saber mais sobre esse assunto e tudo e sobre o parto normal respeitoso (humanizado), administro uma roda de conversa em Campo Grande, Zona Oeste do Rio.






Equipe Doulas no Rio

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